quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tristeza

Na angústia da alegria
que num peito se desfaz
um sorriso que corre
na mente de um modo fugaz.

Na névoa da tirania
em um corpo a suspirar
o eu que ali havia
está agora a definhar.

Pensa no desespero que sente
na vã razão de viver
mas não fica eternamente
a sombra que cobre um ser.

Então, sente-se escasso
naquela dor que consome
deita a mente no espaço
dá um sorriso e dorme.

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TõeRoberto-guaranésia/mg-16março1971

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

E por falar em drogas! - Parte 1

Uma coisa é certa: a juventude se esvai no meio das picadas, das cheiradas, das fumadas, das bebidas, das inaladas, das lambidas, das engolidas, das comidas, da depressão, das síndromes de abstinências, da mentira, da omissão, dos pequenos furtos, dos furtos, dos grandes furtos, das prisões, da agressão, do assassinato, das mortes por excesso, da violência doméstica, pelo fracasso total dos seus antigos objetivos, pela agressividade, pela perda do controle... pelas doenças de ordem psicológica e física.

E uma coisa que devemos saber sobre o vício das drogas: um viciado pode separar-se da droga, mas nunca do vício, que fica adormecido no ex-usuário.

E hoje, infelizmente, a juventude está mergulhada neste lamaçal definitivamente sem saída para muitos.

Podemos dizer, sem medo de errar, que raras são as famílias que não têm algum dos seus membros envolvidos no mundo das drogas, seja como usuário, traficante ou que convive com algum usuário ou traficante.

E lidar com isto não é uma das boas coisas da vida.

Porque, nós os pais, não temos a obrigação de saber de tudo que se passa à nossa volta.

O que é quase impossível porque não somos super-heróis, somos apenas seres humanos comuns e nem sempre sabemos lidar com todos os tipos de adversidades que a vida nos impõe.

E assunto com tal nível de complexidade sempre nos pega de calças curtas e ficamos completamente perdidos sem saber o que fazer.

E acho que no primeiro momento as famílias dão cabeçadas para todos os lados, desesperadas, tentando a todo custo trazer de volta para o convívio do lar o usuário, que é o que me interessa para a construção dos artigos que vou publicar nos próximos dias.

Como não entendo nada disto, sou apenas um curioso tentando entender o que se passa com a juventude que convive no meio deste mundo tão perverso, vou tentar, com alguns posts, aprender e passar alguma informação útil pra quem está convivendo com o problema ou possa vir a conviver.

E não quero, sob hipótese alguma, fazer aqui um tratado sobre comportamentos, psicologia, psiquiatria ou qualquer outro assunto ligado ao mundo do usuário de drogas, porque não tenho a menor condição de fazer isto.

Eu quero apenas falar da maneira mais simples possível deste verdadeiro tormento que se abate cada dia com mais violência sobre os grupos familiares e os indivíduos.

Deste tormento que vai inutilizando e matando pessoas jovens - inteligentes - que têm toda a vida pela frente.

E que levam com eles, para o buraco negro das consequências do vício, os pais e irmãos que lutam desesperadamente para socorrer o ente querido preso nas garras do monstro.

E o monstro não tem piedade, nem ética... nem rosto definido.

E devora a vítima, e a todos que estão a sua volta, com uma voracidade incontrolável.

E fique sabendo: o vício é incansável; ele não dorme nunca. Nem durante o dia, nem à noite.

No próximo post vou começar listando as drogas mais comuns e suas características.
O que não é uma tarefa simples!

Continua...

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TõeRoberto
Bibliografia:Artigos da Internet/Jornais/Revistas/Juventude&Drogas:Anjos Caídos-Içamitiba

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Anaquele Cristina

Hoje, Anaquele Cristina, eu só quero dormir!

Sonhar com um mundo melhor.

Tomar uma cerveja com os amigos.

Voar sobre a imensidão do oceano sem fim.

Pensar que o amor é o princípio e o fim de todas as coisas.

Nada nesta vida me fará acordar do meu sonho de dormir.

Nem o seu sorriso de 15 anos atrás!

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TõeRoberto

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Eu vi

Eu vi teus seios e neles me prendi
tire esta blusa
traga-os balançando a mim.

Quero mordê-los esta noite
como se fossem duas frutas
que nunca comi.

Eu vi teus seios e neles me prendi
tire da frente as mãos
pegue-os, ponha-os aqui
junto ao leito, junto de mim
quero achar entre eles
a vida que há muito perdi.

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TõeRoberto-são paulo/sp-24dezembro1974

sábado, 28 de novembro de 2009

O 's'

Eu nasci com um 'S' no final do meu sobrenome.

A burocracia, com o passar dos anos, comeu o meu 'S'.

E comeu o 'S' do sobrenome da minha mãe.

E comeu mais alguns 'Ss' que meus parentes ainda não descobriram.

E a ausência do meu 'S' está, hoje, transformando a minha vida num personagem Kafkiano.

Perdi a minha identidade, tirei outra.

Aí a burocracia devolveu o 'S' roubado da minha mãe.

E o 'S' ressuscitado da minha mãe passou a infernizar a minha vida.

E descobri, perplexo, que depois de tantos anos trabalhando, recebendo salário, pagando imposto, fazendo empréstimos eu não existo mais.

Fui abrir uma conta no banco: e eu, com minha identidade nova - com o 'S' ressuscitado da minha mãe - não existo mais pra Receita Federal.

Não posso abrir conta, não posso fazer crediário, não posso comprar um imóvel, não posso casar... não posso fazer nada... nem morrer!

O sistema só me reconhece com o 'S' roubado da minha mãe.

Com ele de volta me transformei num ser virtual, que só existe pra família e para os amigos.
Dizem que é fácil consertar.

É só devolver à Receita Federal o 'S' da minha mãe.

Mas tenho certeza que quando eu fizer isto alguém vai chiar.

Posso não receber o meu pagamento, posso não poder movimentar a minha conta que tem mais de 30 anos, posso ser preso indevidamente.

E tudo por conta de um pequenino 'S', de quem, por sinal, nem sou muito fã.

De uma coisa eu tenho certeza: este 'S' ainda vai dar muito que falar.

A burocracia é uma senhora muito cruel, lerda... e burra!

E mora no Brasil!

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TõeRoberto

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Adenaide Paixão

Ah, Adenaide Paixão, que mulher maravilhosa é você!

Levanta, faz o café, cuida dos meus filhos, limpa a casa, lava a roupa, passa a roupa, faz o almoço, o café da tarde, o jantar, o lanche da noite.

Você é uma máquina de fazer coisas.

Uma mulher desprovida do cansaço da vida.

À noite ainda me acolhe, rola comigo pela madrugada afora como uma adolescente em fogo.

Caralho, onde você arranja tanta energia para administrar a minha vida?

Que paixão absurda te impulsiona a ser uma escrava tão sorridente e despojada de tudo... até da sua vida?

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TõeRoberto

domingo, 22 de novembro de 2009

Ponto

És um ponto e um ponto basta
pra manter, perpetuar a vida
pois enquanto o tempo passa
e é em rugas revertido
brilha a estrela, renasce a lua
lá no meio do infinito.

És um ponto e um ponto basta
pra manter, perpetuar a vida
pois enquanto o tempo passa
pelas pernas enfraquecidas
no jeito de ser do universo
as coisas ficam esquecidas.

Acaba o ser
acaba a pedra
acaba o aço
morre o poeta
rasga-se o verso
acaba o lápis
mas fica na imagem
da folha
e no espaço
um ponto
a essência da vida.

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TõeRoberto-são paulo/sp-12novembro1974